O anúncio de hoje surge em resposta à onda de manifestações da passada sexta-feira que exigem a proibição das atividades deste partido histórico.
"Todas as atividades da Liga Awami, incluindo as do ciberespaço, foram proibidas pela Lei Antiterrorismo até que os procedimentos contra o partido e os seus líderes perante o Tribunal Internacional de Crimes do país estejam concluídos", justificou o consultor do Governo Interino, Asif Nazrul, citado pela agência Europa Press
O responsável argumentou que esta decisão "visa salvaguardar a segurança e a soberania nacional e proteger os líderes e ativistas do Movimento de Julho".
Asif Nazrul anunciou ainda alterações à lei do tribunal de Crimes Internacionais, que terá agora o poder de sancionar qualquer partido político, os seus afiliados ou grupos de apoio.
A antiga primeira-ministra Sheikh Hasina, que governava o Bangladesh com mão de ferro desde 2009, fugiu do seu palácio e refugiou-se na Índia em 05 de agosto, após várias semanas de motins que foram reprimidos com derramamento de sangue.
Citando "várias fontes credíveis", o relatório da ONU estima que "cerca de 1.400 pessoas poderão ter sido mortas entre 01 de julho e 15 de agosto" e que "milhares de outras ficaram feridas", de acordo com um comunicado de imprensa.
O relatório refere que a grande maioria dos mortos foi baleada pelas forças de segurança e que 12% a 13% eram crianças.
O gabinete do Alto Comissário acusa o antigo Governo, os serviços de segurança e de informações do Bangladesh e "elementos violentos" associados à Liga Awami, o partido de Hasina, de graves violações dos direitos humanos.
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